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CESAM celebra o Dia Mundial do Solo - conversa com Susana Loureiro

CESAM celebra o Dia Mundial do Solo - conversa com Susana Loureiro

No próximo dia 5 de dezembro celebramos o Dia Mundial do Solo, com um conjunto de atividades abertas ao público.

Complexo Pedagógico, Científico e Tecnológico | a partir das 14:00 h | entrada livre

Para conhecer um pouco mais sobre a importância da data e do estudo dos solos fomos conversar informalmente com três das nossas investigadoras e interromper o seu trabalho. A segunda conversa foi com Susana Loureiro (CESAM |Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro).

Os excertos abaixo são o resultado dessa breve conversa informal, que ocorreu nos seus laboratórios. Vídeo disponível aqui

Comunicação_CESAM: ‘Qual a importância que os solos possuem no nosso quotidiano?’

Susana Loureiro: Uma das funções importantes dos solos é filtrar tudo o que sejam substâncias químicas que vão parar aos solos. E vão parar aos solos desde pesticidas, fertilizantes agrícolas… vão parar aos solos lamas de ETARs de tratamento de águas resíduas… todos estes componentes têm substâncias químicas que podem ter uma mobilidade elevada ou reduzida, ou seja, percorrerem o perfil vertical dos solos de uma forma rápida, lenta ou não percorrem e ficarem imóveis.
E se eles percorrem rapidamente o perfil do solo, chegam também rapidamente às águas subterrâneas e essas são a fonte da água que nós bebemos e são também a água que vai para os rios.

Comunicação_CESAM: ‘E porque precisamos de ter investigação sobre solos?’

Susana Loureiro: O nosso objetivo é perceber se os solos têm algum contaminante que vai impactar, por exemplo, um rio ou um lago, ou se nos deixa de fornecer um serviço relacionado com a produção primária.
Na componente agrícola, por exemplo, que é um dos serviços muito importantes dos solos, imagina que há a pulverização de um pesticida e chove intensamente nesse dia e isso provoca uma escorrência para um ribeiro que está num local adjacente. Automaticamente, tudo o que tu aplicaste vai escorrer para o rio. Atualmente os nossos solos estão saturados, muitas vezes de nitratos, de fosfatos devido à aplicação intensa e também de alguns compostos químicos que são persistentes nos solos.

O que nós fazemos aqui é simular essa escorrência para os rios, através de uma mistura que nós fazemos de água com solo, que depois é agitada, centrifugada, extraída e testada com organismos vivos - organismos aquáticos de água doce. E mesmo em amostras ‘cegas’ (que não conhecemos a sua composição química), estes organismos vão-nos dar pistas sobre a saúde desse solo.

Além de vários projetos que atualmente em curso, temos uma parceria com uma empresa chamada Entogreen, que é uma empresa dedicada à produção de insetos e que possui uma componente da circularidade ambiental. Aí os insetos alimentam-se de resíduos, quer vegetais ou de matrizes com uma complexidade importante ao nível de resíduos que não se conseguem ter um destino ambientalmente sustentável, por exemplo, o bagaço da azeitona da produção de azeite – que é um resíduo que não tem ainda um tratamento eficaz, porque tem uma matriz muito complexa e tóxica.
Esses e outros resíduos, como restos de vegetais que vêm dos supermercados, são dados aos insetos e estes processam-nos, ou seja, comem-nos e os seus desperdícios em conjunto com as mudas das larvas dos insetos são peletizados e formam um fertilizante muito bom para solos.

Outra componente que também estamos a trabalhar, está mais orientada para a poluição ambiental e que também está ligada ao ecossistema do solo. Existem vários projetos europeus e mundiais que estudam e que modelam como é que vamos estar daqui a uns anos e o futuro não é muito risonho. Estamos a perder muita biodiversidade nos solos, e esta é muito importante para a reciclagem normal e natural que os solos fazem da matéria orgânica, dos nutrientes…
Nós tentamos ajudar com ferramentas de monitorização, ou seja, não fazemos processos de remediação, não fazemos tratamento de resíduos. O que nós fazemos é a verificação da eficácia do tratamento, porque analisar quimicamente uma matriz pode não ser suficiente, porque te pode ‘falhar’ algum composto específico. Mas nós utilizamos seres vivos (minhocas) que nos são capazes de indicar se existe ou não, alguma coisa que não está bem nessas amostras de solo.

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Financiamento do CESAM: UIDP/50017/2020 + UIDB/50017/2020 + LA/P/0094/2020