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ADAPTARia: Modelação das Alterações Climáticas no Litoral da Ria de Aveiro – Estratégias de Adaptação para Cheias Costeiras e Fluviais
João Miguel Dias
PTDC/AAC-CLI/100953/2008
2010-06-01 - 2013-11-30 (42)
Fundação para a Ciência e Tecnologia
169614 €
197827 €
Universidade de Aveiro

Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)

As inundações em áreas litorais ameaçam anualmente milhões de pessoas na Europa. Nos últimos anos, este território sofreu mais de 100 eventos significativos de cheias, que originaram mais de 700 mortes, a deslocalização de cerca de meio milhão de pessoas e prejuízos económicos de mais de 25 bilhões de euros (European Environment Agency). A União Europeia reconheceu a importância deste perigo através da Directiva de avaliação e gestão do risco de cheia, dando orientações ao nível do planeamento e gestão (2007/60/EC, ec.europa.eu/environment/water/flood_risk/).


O litoral da Ria de Aveiro tem elevada vulnerabilidade às inundações. A Ria de Aveiro é uma laguna ligada ao Oceano Atlântico através de uma única embocadura. Localiza-se no litoral Centro de Portugal, estando integrada na bacia hidrográfica do rio Vouga (Figura 1), Este é o principal afluente da Ria, tendo um regime de cheias intenso e inundações significativas nas áreas terrestres confinantes. Os trechos costeiros adjacentes à laguna, Vagueira-Mira e Esmoriz-Furadouro (Figura 2) são exemplos da erosão e do risco de ruptura do cordão dunar (EEA 2006; reports.eea.europa.eu/eea_report_2006_6/en).


Parte significativa dos fenómenos de cheias ocorre em condições climáticas adversas: chuvas torrenciais com aumento dos caudais fluviais; baixas pressões a N/NW de Portugal e altas pressões a S/SW, associadas a ventos fortes de Sul, originam sobre-elevações do nível do mar. As marés-altas têm também impacto nas inundações, bem como a evolução do nível médio do mar. A morfodinâmica da embocadura da Ria de Aveiro depende ainda do nível do mar e do regime de ondas do Nordeste Atlântico. Estes últimos, associados à disponibilidade sedimentar, determinam a erosão que ocorre no litoral da Ria de Aveiro (IHRH, 2003; www.eurosion.org/reports-online/reports.html).


É consensual que os fenómenos associados às alterações climáticas (AC) amplificam os efeitos destes forçamentos. É vasta a investigação internacional e nacional sobre esta temática, destacando-se o 4º Relatório do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC, 2007) e o relatório do projecto SIAM II (Santos & Miranda, 2007). Prevalece, no entanto, alguma ambiguidade sobre o futuro das condições climáticas. O IPCC apresenta 6 cenários diferentes, com um incremento substancial das condições climáticas extremas, com aumento na intensidade da precipitação, subida do nível do mar, intensificação de ciclones extratropicais no Atlântico Norte e, consequentemente, de tempestades costeiras e de mudanças acentuadas no regime de ondulação. Os aspectos geo/morfológicos das planícies aluviais associados à impermeabilização dos solos (ocupação urbana) contribuem para um incremento do risco de cheia. Nas próximas décadas prevê-se que as AC sejam responsáveis por transformações substanciais na hidro/morfodinâmica dos ambientes costeiros, estuarinos e fluviais.


Estes cenários evidenciam claramente a necessidade de abordagens completas e eficientes para a análise, avaliação e gestão do risco de alagamentos, no sentido de apoiar o desenvolvimento de planos de emergência e o processo de planeamento e gestão do território, considerados instrumentos cruciais no Sistema de Suporte à Decisão.


Esta proposta tem como objectivo principal avaliar o risco de cheia e definir estratégias de adaptação para a Ria de Aveiro e para os trechos costeiros entre Vagueira-Mira e Esmoriz-Furadouro. Na realização do projecto serão desenvolvidos e aplicados modelos de morfodinâmica costeira conjugados com modelos globais de AC e cenários de subida do nível do mar, para determinação das áreas inundáveis actuais e futuras.


Serão analisados índices de tempestades para o Atlântico Norte e simuladas sobre-elevações costeiras e valores meteorológicos diários (vento à superfície, precipitação) para a zona costeira de Aveiro, para os períodos 1971-2000 e 2071-2100, com especial ênfase no cenário do IPCC A2 SRES. Os dados de vento serão utilizados para forçar os modelos de geração e propagação de ondas WaveWatch3 e SWAN, produzindo a climatologia das ondas para o litoral de Aveiro. Serão determinados cenários de descarga hídrica para o rio Vouga a partir dos valores da pluviosidade. Estas previsões, em conjunto com as previsões do IPCC para a subida do nível do mar, serão usados como forçamentos nos modelos hidro/morfodinâmico ELCIRC/MORSYS2D para a Ria de Aveiro e de evolução da linha de costa (LTC) para o litoral de Aveiro, determinando mapas de risco para estas zonas, nos diferentes cenários. Serão propostas medidas e estratégias de adaptação, prevenção e mitigação do risco, com base nos cenários criados, lições aprendidas e recomendações de políticas para adaptação às AC.


O projecto adoptará uma perspectiva multidisciplinar através da integração de metodologias de diversos domínios: climatologia, hidrologia, hidrodinâmica estuarina e costeira, modelação numérica e ordenamento do território. Esta permitirá à equipa desenvolver e aplicar uma abordagem científica integradora e diversificada de conhecimento para a atingir os objectivos propostos.


IHRH, 2003. EUrosion - A European Initiative for Sustainable Coastal Erosion Management. Guidelines for Developing Local Information Systems (Study cases of River Douro - Cape Mondego stretch). Editors F. Veloso Gomes; F. Taveira Pinto; L. das Neves & J. P. Barbosa, Porto. 182 p.


IPCC, 2007. Climate Change 2007: The Physical Science Basis. Contribution of the Working Group I to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change [Solomon, S., D. Qin, M. Manning, Z.Chen, M.Marquis, K.B. Averyt, M.Tignor and H.L. Miller (eds.)]. Cambridge University Press, Cambridge, Uninted Kingdom and New York, Ny, USA, 996 pp.



Santos, F.D. & P. Miranda, 2007. Alterações Climáticas em Portugal. Cenários, Impactos e Medidas de Adaptação, Projecto SIAM II, Gradiva, Lisboa, 506 pp


http://climetua.fis.ua.pt/lega.....index.html

Ana Raquel de Azevedo e Costa
Bolseira de Doutoramento
Carlos A. F. Marques
Investigador

Investigador
João Miguel Dias
Investigador Responsável

Bolseira
Paulo A. Silva
Investigador

Investigadora

Financiamento do CESAM: