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SmokeStorm - Previsão e comunicação dos efeitos do fumo de incêndios florestais
Investigador Responsável - Ana Isabel Miranda
Programa - Prevenção e Combate a Incêndios Florestais
Período de Execução - 2021-02-01 - 2024-01-31 (36 Meses)
Entidade Financiadora - FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Financiamento para o CESAM - 118300 €
Financiamento Total - 284621.25 €
Instituicão Proponente - Universidade de Aveiro
Instituições Participantes
Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial
Instituto Português do Mar e da Atmosfera
Instituto de Engenharia Mecânica

Descrição do Projecto
O objetivo principal do projeto SmokeStorm consiste no desenvolvimento, teste e operacionalização de uma plataforma web que disponibiliza, em tempo quasi-real, previsões de dispersão de fumo de incêndios florestais, bem como informação sobre os efeitos potenciais na saúde humana e na visibilidade. De facto, os recentes eventos extremos de fogo (EWE) ocorridos na Austrália, nos Estados Unidos da América (EUA), na Grécia e em Portugal voltaram a alertar para a relevância do impacto do fumo dos incêndios florestais na sociedade e na economia. De acordo com a comunicação social dos EUA, morrem prematuramente cerca de 20000 americanos por ano devido à exposição a fumo de incêndios florestais e espera-se que esse valor duplique até ao final deste século, pois dezenas de milhões de pessoas serão expostas a eventos massivos de fumo num quadro de alteração climática. Em Portugal, os incêndios de 2017 mudaram drasticamente a perceção da população sobre questões de segurança, com a morte de 112 pessoas e muitas outras a necessitarem de assistência médica por intoxicações pelo fumo. As várias estações de monitorização da qualidade do ar da rede nacional de medição registaram também, e continuam a registar, níveis críticos de poluição atmosférica, devidos à ocorrência de incêndios florestais, que não são comunicados adequadamente à população potencialmente exposta, nem às entidades de saúde. Para além do impacto na saúde humana, o fumo pode reduzir bastante a visibilidade e, consequentemente, prejudicar as atividades de supressão e de evacuação das populações afetadas. Nas últimas décadas, decorreram alguns desenvolvimentos científicos sobre dispersão do fumo e seus impactos, com base em sistemas de modelação que incluem diferentes componentes do comportamento do fogo, tais como progressão, emissões, transporte e química do fumo. Na União Europeia, o European Forest Fire Information System (EFFIS) disponibiliza uma base de dados de fogo, com previsão de indíces de perigo e deteção, recorrendo a imagens de satélite; no entanto, não contém informação sobre emissão e dispersão de fumo. O European Copernicus Atmospheric Monitoring Service (CAMS) monitoriza as emissões dos fogos, também recorrendo a observações de satélite, e produz imagens de dispersão do fumo. Na América do Norte, os sistemas BlueSky e FireWork fornecem previsão em tempo quasi-real sobre a progressão de incêndios florestais e dispersão do fumo. Todos estes sistemas disponibilizam previsões para vastas regiões (continentes), não apresentando a resolução espaço-temporal necessária para apoiar populações e stakeholders locais. O SmokeStorm desenvolverá e combinará, num único sistema, modelos diferentes, cuja aplicação permitirá uma melhor descrição dos eventos de fumo de incêndios florestais. Basear-se-á numa abordagem que integrará modelos de progressão do fogo, emissões e dispersão do fumo, bem como funções matemáticas para cálculo da exposição humana, efeitos na saúde e redução da visibilidade. O sistema será aplicado e avaliado para os EWE de 2017 em Portugal, utilizando os recursos e fontes de informação disponíveis (e.g. dados de satélite e radar, medições à superfície), visando-se uma melhor compreensão dos processos envolvidos (físicos e químicos) na produção e dispersão do fumo. Posteriormente, o sistema será adaptado para a previsão em tempo quasi-real e para a sua disponibilização numa plataforma de comunicação, que será testada no decorrer do projeto, durante eventos de incêndios florestais. Os desafios técnico-científicos do SmokeStorm requerem uma abordagem multi-disciplicar suportada pela experiência do consórcio, que compreende a Universidade de Aveiro (UA), a Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI), o Instituto de Engenharia Mecânica (IDMEC) e o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). À UA está associada uma vasta experiência na modelação da poluição atmosférica e dos seus impactos no ambiente e na saúde humana; a ADAI é reconhecida pelo seu conhecimento inquestionável em comportamento do fogo e segurança contra os incêndios florestais; o IDMEC apresenta uma sólida capacidade de investigação e modelação de processos multi-fásicos complexos; e o IPMA é a autoridade nacional para a meteorologia e o clima. Acresce a cooperação, ao longo de três décadas, de vários investigadores do SmokeStorm. O principal resultado será a plataforma web de previsão do comportamento do fumo e dos seus impactos. O consórcio dedicará também uma atenção especial à disseminação do conhecimento produzido entre as autoridades operacionais, os decisores, as populações em risco e a comunidade científica. Para além dos indicadores típicos de disseminação científica (e.g. comunicações em conferências e publicações em revistas científicas indexadas), será criada uma página web do projeto, serão organizados workshops, seminários e cursos especializados e, em particular, será produzido um guia para comportamento a adotar para mitigação dos efeitos do fumo dos incêndios florestais.




Membros do CESAM neste projecto
Ana Isabel Miranda
Coordenadora
Carla M. S. Gama S.
Investigadora
Johnny Daniel Reis
Investigador

Financiamento do CESAM: