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FIREREG - Factores que determinam a variabilidade da regeneração pós-fogo em Pinus pinaster e Eucalyptus
Investigador responsável no CESAM - Nelson Abrantes
Programa - PTDC/AGR-CFL/099420/2008
Período de Execução - 2010-05-01 - 2013-04-30 (36 Meses)
Entidade Financiadora - FCT
Financiamento para o CESAM - 36.322 €
Financiamento Total - 116.123 €
Instituicão Proponente - Centro de Ecologia Aplicada Prof. Baeta Neves (CEABN/ISA/UTL)
Instituições Participantes
Universidade de Aveiro
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)

A gestão pós-incêndios tem recebido muito menos atenção do que a prevenção ou o combate a incêndios florestais. O procedimento usual em muitas áreas da região mediterrânica, após um incêndio, é cortar as árvores queimadas. Depois deste corte, geralmente existe uma pressão política forte para reflorestar activamente as áreas ardidas (Pausas et al. 2004a), numa abordagem simplista de comparar área ardida versus florestada. Estes esforços de reflorestação são normalmente realizados através de técnicas de restauro activas, como a plantação ou a sementeira.


O aproveitamento do restauro passivo, em que a abordagem utilizada é a gestão da regeneração natural das florestas (a partir de sementes ou rebentação de toiça) é muito menos frequente, apesar de ter custos económicos geralmente inferiores. Pode até haver conflito entre as duas abordagens (restauro activo ou passivo), quando governos subsidiam o restauro activo em áreas onde a regeneração natural está a ocorrer (Moreira et al. 2009 a). No entanto, uma das desvantagens da utilização do restauro passivo (ou assistido) é que o tipo de floresta que está a regenerar pode não servir os objectivos de gestão da área, por exemplo quando há regeneração excessiva, ou quando espécies exóticas invasoras podem ser beneficiadas pelo fogo ameaçando a diversidade de plantas nativas e aumentando o risco de incêndios futuros.


Na última década, os fogos florestais em Portugal queimaram em média 160,000 ha por ano. O pinheiro bravo (Pinus pinaster), uma espécie nativa, e o eucalipto (Eucalyptus globulus), uma espécie exótica, constituem uma importante fonte de madeira e pasta para papel para o país. As duas espécies ocupam regiões geográficas semelhantes (cerca de 700,000 ha) e possuem um risco de incêndio muito elevado (Moreira et al. 2009b, Silva et al. 2009). No entanto, as respostas das duas espécies ao fogo são diferentes, limitando as opções de gestão pós-fogo e colocando diferentes questões de investigação com relevância para os gestores florestais.


O pinheiro é parcialmente termodeiscente, e as sementes armazenadas nas pinhas são a principal fonte de regeneração pós-incêndio, uma vez que o banco de sementes no solo é escasso e pouco duradouro (Fernandes & Rigolot 2007). Geralmente existe uma abundante regeneração pós-fogo quando são queimados povoamentos adultos. As árvores adultas são mortas pelo fogo em função do grau de afectação da copa e do câmbio (Fernandes & Rigolot 2007), e não existe regeneração vegetativa na espécie. A típica gestão-pós fogo consiste em cortar as árvores queimadas e promover a regeneração através de restauro activo (por sementeira ou plantação) ou passivo (por regeneração natural a partir de sementes). Neste contexto, avaliar e prever em que condições ocorre regeneração natural tem implicações práticas, uma vez que permitiria identificar, após um incêndio, áreas onde pode ser esperada uma má regeneração e, consequentemente, onde medidas de restauro activo deveriam ser usadas, em contraste com áreas onde poderá ser esperada uma boa regeneração, e onde a abordagem preferencial seria a gestão desta regeneração natural.


O eucalipto tem uma forte resposta vegetativa após o fogo (Gill 1977, Ashton 1981). Desta forma, a gestão pós-fogo mais usual é cortar as árvores queimadas e gerir depois a rebentação de toiça que irá ocorrer, ou então efectuar novas plantações. Para além da resposta vegetativa, na sua região de origem os povoamentos de eucalipto podem também regenerar a partir de sementes armazenadas na copa (nos frutos) ou no solo (Gill 1977). Em Portugal esta característica não é utilizada na gestão pós-fogo, já que a regeneração seminal não é, geralmente, abundante e não tem interesse económico quando comparada com o aproveitamento da rebentação de toiça. Neste contexto, a principal preocupação com a regeneração de semente ocorre de um ponto de vista da biodiversidade: a espécie não tem sido considerada invasora até ao momento, mas existem relatos da ocorrência de grandes densidades de plantas jovens de eucaliptos nalgumas áreas ardidas. Teria grande interesse para a gestão avaliar em que condições ocorre regeneração por semente nesta espécie, bem como avaliar o seu potencial como invasora e o impacto que poderá ter na diversidade das plantas nativas.


Em resumo, com os objectivos de definir uma adequada gestão pós-incêndios e de conservação da biodiversidade, é importante aumentar o conhecimento científico sobre os factores que determinam a quantidade de regeneração natural em pinheiro bravo e eucalipto, por forma a poderem ser construídos modelos predictivos que possam ser usados pelos gestores florestais nas suas decisões. É este o objectivo global deste projecto, e para o atingir será caracterizada a quantidade de regeneração natural em áreas ardidas há 4 ou 5 anos, bem como as variáveis, relacionadas com  a estrutura da vegetação pré-fogo, severidade do fogo e condições ambientais, que poderão explicar a variabilidade observada.




Membros neste projecto

Investigador
Frank G.A. Verheijen
Coordenador equipa UAveiro

bolseiro
Paulo Silveira
Investigador

Financiamento do CESAM: