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ReaLISE – Determinação de Limites de Risco para a Protecção do Ecossistema Solo de Compostos Emergentes
Investigador Responsável - Ruth Pereira
Programa - Concursos de Projectos de I&D
Período de Execução - 2012-04-01 - 2015-03-31 (36 Meses)
Entidade Financiadora - FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia
Financiamento para o CESAM - 75.42 €
Financiamento Total - 168.792 €
Instituicão Proponente - Universidade de Aveiro
Instituições Participantes
Universidade de Coimbra
PRODEQ - Associação para o Desenvolvimento da Engenharia Química (PRODEQ)
Instituto Piaget, Cooperativa para o Desenvolvimento Humano, Integral e Ecológico CRL (IPiaget)

Devido ao tamanho das suas partículas, que aumenta consideravelmente a sua área superficial por volume, os nanomateriais (NMs) apresentam propriedades únicas, oferecendo a promessa de uma vasta gama de aplicações. Assim, e ainda que seja de esperar uma forte produção, utilização e deposição de NMs num futuro próximo, espera-se também que a sua manufacturação forneça a melhor via para alcançar um desenvolvimento sustentável. Com o desenvolvimento da nanotecnologia espera-se um menor consumo de materiais, água e energia, uma menor produção de resíduos e novos métodos para converter energia, filtrar água e descontaminar solos. Contudo, os cientistas são acometidos por novas preocupações pois continuamos incapazes de prever que NMS estão a ser desenvolvidos, as suas concentrações ambientais, o seu destino e mobilidade no ambiente e a magnitude das exposições humanas/ambientais. Efeitos ecotoxicológicos no biota tem sido observados devido à escala nano destes materiais, que aumenta a reactividade da sua superfície, promove a sua interacção com as membranas celulares e os componentes sub-celulares. De facto, possíveis mecanismos de toxicidade dos NMs incluem a disrupção de membranas ou do potencial de membrana, a oxidação de proteínas, interferências na transdução de energia, genotoxicidade, formação de espécies reactivas de oxigénio. No entanto, continua a existir pouca informação sobre os mecanismos de acção subjacentes.

Os NMs emergentes irão ser libertadas em matrizes ambientais não pristinas, onde a acção combinada com outros químicos é esperada devido à sua grande capacidade de se ligarem a metais de transição e poluentes orgânicos. De facto o impacto dos NMs no ambiente pode ocorrer, como resultado da sua toxicidade, ou da toxicidade das suas formas alteradas, interagindo com outros compostos no ambiente à medida que envelhecem.


Não obstante as recomendações consagradas nas políticas de União Europeia e dos Estados Unidos (3, 8-9), endereçando a importância de se efectuar uma avaliação dos riscos para a saúde humana e ambiente dos NMs, em paralelo com o seu desenvolvimento, até há data existe muito pouca informação ecotoxicológica para espécies aquáticas (e.g. 7) e muito menos ainda para espécies terrestres (e.g. 16-23). Mais ainda, a informação existente está limitada a um reduzido número de espécies e NMs (principalmente fulerenos, nanotubos de carbono e óxidos de titânio). Assim, e ainda que algumas centenas de NMs estejam já no mercado (4) a toxicidade da grande maioria permanece desconhecida. A falta de dados toxicológicos sobre NMs e da validação de técnicas analíticas para a sua detecção, monitorização e controlo são lacunas críticas, uma vez que impedem a avaliação precisa de cenários de exposição. Deste modo, sem dados sobre a toxicidade e a exposição aos NMs não é possível efectuar avaliações de risco para a saúde humana e ecossistemas. Os reguladores irão continuar sem informação científica de base que suporte a definição de políticas e a produção de documentos legais, que estabeleçam regras específicas para a produção, registo e deposição de NMs no ambiente. Até lá os NMs serão regulados pela legislação REACH (9). Tendo estas preocupações em mente, o principal objectivo desta proposta é obter dados ecotoxicológicos para um grupo de NMs orgânicos e inorgânicos, muito pouco estudados, utilizando uma bateria de espécies terrestres e aquáticas, seguindo protocolos padronizados. E, utilizando em simultâneo uma gama de procedimentos analíticos recomendados (e.g. 24) para avaliar os nanomateriais “tal como são administrados” de acordo com as recomendações da iniciativa MINIchar (25), e para caracterizar as doses efectivas de NMs através da análise do solo teste contaminados e dos elutriados. Os dados ecotoxicológicos obtidos irão ser utilizados para o cálculo de valores de PNEC (concentrações que se prevê não causarem efeitos) para serem usados em avaliações de risco, com baseem Documentos Técnicos da Comissão Europeia (26). Adicionalmente, temos como objectivo perceber de que modo algumas propriedades do solo podem determinar a mobilidade, biodisponibilidade e a toxicidade dos NMs, assim como a potencial ocorrência de sinergismos/antagonismos entre os efeitos tóxicos dos NMs, e de outros contaminantes largamente distribuídos no ambiente. Esta proposta tem associada a si uma equipa que reúne todas as especialidades necessárias para atingir os objectivos a que se propõe, incluindo investigadores com uma vasta experiência em ecotoxicologia terrestre e aquática, da UA-Aveiro e IMAR-CMA/Universidade de Coimbra, em conjunto com investigadores com um extenso currículo em química analítica ambiental do Instituto Piaget e na análise de partículas do PRODEQ/CIEPQPF (UC). A equipa vai contar com a consultadoria activa do Dr. Jörg Römbke da companhia ECT-Oekotoxicologie (Alemanha), actualmente um dos maiores especialistas Europeusem Ecotoxicologia Terrestre.




Membros neste projecto

Investigadora
Ana Luísa Caetano
Investigadora
Catarina Marques
Investigadora
Isabel M. Lopes
Consultora
Joana Luísa Pereira
Investigadora

Investigadora
Teresa Rocha Santos
Investigadora

Investigadora

Financiamento do CESAM: