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FIRETOX - Efeitos tóxicos dos incêndios florestais nos sistemas aquáticos
Investigador Responsável - Nelson Abrantes
Programa - Compete
Período de Execução - 2013-06-01 - 2015-09-30 (28 Meses)
Entidade Financiadora - FCT
Financiamento para o CESAM - 88009 €
Financiamento Total - 199554 €
Instituicão Proponente - Universidade de Aveiro
Instituições Participantes
Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA)

Universidade do Minho

Os incêndios florestais são uma grande perturbação nas florestas Mediterrâneas, representando uma importante ameaça para a vida, bens humanos e recursos naturais. Em Portugal, os incêndios florestais consumiram, em média, na última década, 140 000 ha por ano. Não se espera que a frequência dos incêndios diminua num futuro próximo, não apenas porque os cenários de alterações climáticas preveem um aumento das condições meteorológicas propícias à ocorrência de fogos, mas também devido à natureza das actividades florestais do país.


Uma das principais preocupações ambientais em relação aos incêndios florestais é o facto de eles constituírem uma fonte difusa de contaminação dos sistemas aquáticos afectando a qualidade da água, nomeadamente através da produção e subsequente exportação de substâncias pirolíticas deletérias, tais como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), mas também através da entrada de metais associadas às cargas de cinza/solo. A preocupação com os HAPs está relacionada com sua toxicidade, carcinogenicidade, persistência ambiental e tendência para a bioacumulação. A contaminação das massas de água pela entrada, pós-incêndio, de vários metais pode também constituir um problema ambiental, uma vez que alguns deles são venenosos em concentrações elevadas e tendem a bioacumular.


Uma parte substancial dos compostos produzidos pelos incêndios pode acabar nos habitats aquáticos a jusante da área ardida, uma vez que estes podem contribuir significativamente para geração das escorrências assim como para o transporte de sedimentos. De facto, resultados preliminares obtidos pela equipa proponente mostraram a presença de vários HAPs em amostras de escorrências e de águas de uma área ardida, assim como efeitos tóxicos em organismos expostos às mesmas (Campos et al, in press),enfatizando a necessidade urgente de fornecer uma sólida base científica para avaliar, monitorizar e prever os riscos de poluição das águas superficiais de áreas recentemente queimadas. Além disso, tanto os HAPs como os metais representam um preocupante risco para a saúde humana, seja pelo consumo de água com concentrações que excedem os valores de referência, ou pelo uso de água para actividades recreativas. Embora os efeitos dos incêndios nos processos hidrológicos e erosivos estejam bem documentados (incluindo em Portugal, por membros proponente do corrente projecto),poucos estudos se têm debruçado sobre a exportação de HAPs e metais, pós-incêndio, de áreas recentemente queimadas. Também os efeitos tóxicos destas escorrências carregadas de cinzas sobre a biota aquático e saúde humana permanecem uma lacuna importante da investigação.


Tendo em consideração esta urgente necessidade de avaliar os efeitos tóxicos dos incêndios florestais nos ecossistemas aquáticos, a presente proposta propõe:



  • Avaliar a produção e exportação de HAPs e metais através escorrências superficiais em áreas ardidas desde a parcela até à escala de bacia (tarefa 2);

  • Determinar a toxicidade de amostras de escorrências e sedimentos de áreas ardidas em organismos aquáticos de diferentes níveis tróficos / grupos funcionais, e relacioná-las com a concentração de PAHs e metais nas amostras (tarefa 3);

  • Avaliar a potencial capacidade para a biomagnificação e bioacumulação dos HAPs e metais produzidos nos incêndios no biota aquático (organismos pelágicos e bentónicos) (tarefa 4);

  • Implementação de ensaios in-situ em áreas ardidas para a validação dos resultados (tarefa 5);

  • Elaboração de um protocolo de avaliação com base em um ou mais parâmetros estudados anteriormente, de modo a permitir uma avaliação rápida e fiável dos potenciais riscos para o biota aquático e saúde humana associados ao transporte de HAPs e metais de áreas recentemente ardidas para as massas de água superficiais a jusante (tarefa 6). 


As lacunas de conhecimento que o FIRETOX pretende colmatar são de especial importância e urgência para a implementação da DQA. Nomeadamente, porque a DQA estabelece a obrigação de caracterizar as diversas fontes de poluição pontuais e difusas das massas de água. Neste contexto, o projecto FIRETOX também irá contribuir com informações valiosas sobre as respostas ecotoxicológicas das espécies expostas às escorrências das parcelas ardidas e bacias. Este conhecimento é fundamental para a avaliação integrada exigida pela DQA, neste caso específico os efeitos co-laterais dos incêndios florestais na qualidade das águas superficiais. Assim o protocolo que resultará do FIRETOX será um contributo importante para a avaliação integrada de incêndios futuros. Deste modo, os resultados serão devidamente divulgados às autoridades com responsabilidades na implementação e no cumprimento da DQA em Portugal. 


A proposta FIRETOX tem um carácter fortemente multidisciplinar, envolvendo três distintos campos de conhecimento - hidrologia de campo, eco-toxicologia aquática e química orgânica - que serão devidamente assegurados pela equipa do FIRETOX.





Investigadora

Financiamento do CESAM: