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DOMINO EFFECT - Degradação de ecossistemas lóticos associados a plantações florestais: uma avaliação de teias alimentares em comunidades de plantações florestais
Investigador Responsável - Marta S. Monteiro
Programa - PTDC/AGR-AAM/104379/2008
Período de Execução - 2010-05-01 - 2013-10-31 (42 Meses)
Entidade Financiadora - FCT
Financiamento para o CESAM - 194592 €
Financiamento Total - 194592 €
Instituicão Proponente - Universidade de Aveiro


Embora o desmatamento das florestas naturais represente uma das principais causas de perda de biodiversidade [Laurance07], a extensão de plantações florestais aumentou 42% entre 1990 e 2005, tendo os maiores aumentos europeus ocorrido em países do Mediterrâneo [FAO06]. Representada por vastas áreas de monoculturas, esta tendência na florestação suscitou preocupações com a conservação da biodiversidade. Embora novas evidências tenham destacado oportunidades de conservação associadas a plantações florestais, sínteses recentes têm negligenciado as consequências para os ecossistemas fluviais [Brockerhoff_etal08]. Este facto é lamentável dadas as inexoráveis ligações entre os sistemas fluviais e os terrenos que drenam e o facto de, em algumas regiões, se considerar que os rios acolhem espécies fundamentais para os ecossistemas florestais, sustentando assim a biodiversidade florestal [Willson_etal98]. Os ecossistemas fluviais por si só representam um importante elo da biodiversidade, sustentando espécies com alto valor económico e de conservação. Como representam uma mudança paisagística radical na bacia hidrográfica, as plantações florestais resultam em grandes transformações para a base energética e qualidade do habitat dos ecossistemas lóticos. A plantação de pinheiro e eucalipto está associada a aumentos na acidez de ribeiros e a reduções nos níveis de catiões base, enquanto a colheita de árvores de curta rotação priva os sistemas ribeirinhos da entrada de material lenhoso [Gurnell_etal95] [Canhoto&Laranjeira07]. Estudos recentes acerca do fluxo energético entre ecótones terra-água de ribeiros florestais revelaram efeitos secundários que afectam em cascata teias alimentares terrestres e lóticas [Kawaguchi_etal03] [Ballinger&Lake06], evidenciando a necessidade de uma perspectiva integrada para a gestão da biodiversidade florestal. No entanto, apesar do importante progresso que tem sido feito para compreender os ecossistemas florestais em zonas temperadas, o conhecimento sobre ribeiros florestais na Europa mediterrânica, particularmente a nível do ecossistema, continua a ser escasso. 38% do território português (> 3 milhões de hectares) é dedicado a plantação florestal, representando as plantações de pinheiro e eucalipto 23% e 21% da cobertura florestal, respectivamente. Até ao momento os estudos sobre os efeitos nos ecossistemas fluviais incidiram maioritariamente no valor nutricional das folhas de eucalipto para a fauna de macroinvertebrados [Graca_etal01]. Embora estes estudos tenham revelado importantes ligações mecanicistas entre comunidades microbianas e de macroinvertebrados [Ferreira_etal06], as consequências para a transferência de energia e nutrientes para níveis tróficos superiores permanecem desconhecidas. Os efeitos nas comunidades piscícolas de ribeiros portugueses não foram ainda descritos, e as consequências para os ecossistemas florestais a nível mais amplo, que têm sido demonstradas noutros locais, têm ainda de ser estudadas. Actuando simultaneamente nos processos energéticos e hidrológicos, na qualidade da água, e no habitat físico, os efeitos da florestação são detectados numa gama de escalas espacio-temporais e afectam os organismos fluviais através de uma variedade de vias. A investigação proposta representa um estudo multi-facetado dos efeitos de plantações florestais centrado nas principais comunidades ecológicas (macroinvertebrados, peixes e anfíbios) e no fluxo e transferência de energia dentro e entre habitats aquáticos e ripícolas. Com base na análise comparativa de ribeiros perenes e intermitentes em florestas de eucalipto, pinheiro e decíduas, os efeitos na qualidade ecológica serão elucidados através de descrições detalhadas da estrutura do habitat e da qualidade da água. As informações provenientes de estudos de campo serão complementadas por um estudo de laboratório sobre a toxicidade de lixiviados de folhas, que são apontados como particularmente prejudiciais em ribeiros ntermitentes [Canhoto&Laranjei07]. Preenchendo uma importante lacuna no conhecimento sobre florestas naturais e de produção em climas mediterrânicos, a investigação proposta irá fornecer dados fundamentais sobre teias alimentares de sistemas lóticos florestais, informação contextual crucial sobre vários taxa incluídos na lista vermelha da IUCN (peixes e anfíbios) e o primeiro estudo sistemático de anfíbios associados a ecossistemas fluviais na Península Ibérica. O desenvolvimento de um conjunto de indicadores a nível da população e da comunidade irá fornecer um instrumento valioso de avaliação da qualidade ecológica, ao passo que a adaptação de um teste de exposição padrão para anfíbios irá representar uma importante inovação nas áreas da ecotoxicologia e avaliação de riscos para a zona Atlântico-Mediterrânica. As ferramentas daí resultantes representarão um inestimável contributo para o cada vez mais popular sistema de acreditação [Council_09], que tem como objectivo garantir uma gestão e prática florestais sustentáveis - o que requer conhecimento abrangente e compreensão da biodiversidade lótica.




Membros neste projecto
Daniel Cleary
membro da equipa

bolseira
Kieran Monaghan
membro da equipa

aluna de doutoramento
bolseira

Financiamento do CESAM: