Building the future by doing more together

LínguaTox - Língua bioeletrónica para a deteção de toxinas marinhas em bivalves
Investigador Responsável - Alisa Rudnitskaya
Programa - PROMAR -3- Medidas de Interesse Geral
Período de Execução - 2014-03-01 - 2015-12-31 (22 Meses)
Entidade Financiadora - PROMAR
Financiamento para o CESAM - 172337 €
Financiamento Total - 229782.61 €
Instituicão Proponente - Universidade de Aveiro


Todos os países costeiros são afetados pela proliferação de algas tóxicas (HABs). Algumas destas algas biossintetizam toxinas prejudiciais à vida marinha e, quando acumuladas em certos organismos tais como moluscos bivalves, podem provocar após a sua ingestão doenças e morte em seres humanos. Globalmente como em Portugal, tem ocorrido um aumento no número de HABs, de toxinas e de espécies tóxicas, assim como nas perdas económicas associadas a eventos de HAB. A monitorização de toxinas marinhas em moluscos bivalves é necessária face à imprevisibilidade da ocorrência de HABs. Estas toxinas são geralmente classificadas em 3 grupos distintos, em função dos sintomas provocados em humanos, sendo monitorizadas na União Europeia (UE): toxinas de intoxicação diarreica (DSTs), paralítica (PSTs) e amnésica (ASTs) [5]. Em Portugal programa de monitorização foi implementado em 1986 para PSTs, em 1987 para DSTs e em 1996 para o ASTs. Embora estas toxinas tenham sido detectadas ao longo de toda costa Portuguêsa, a região noroeste, Ria de Aveiro e Algarve são das mais problemáticas com ocorrência frequente de contaminação.


As análises de rotina de toxinas marinhas em bivalves em Portugal são realizados pelo Laboratório Nacional de Referência - Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Embora a ocorrência de PSTs seja menos frequente do que as restantes, estas são de particular interesse devido à gravidade dos sintomas neurológicos que causam em seres humanos. Até recentemente, os métodos de referência para a deteção de toxinas marinhas eram bioensaios em ratos que utilizam a morte dos animais expostos às toxinas como o ponto final na determinação da toxicidade. Além das implicações éticas deste método, os bioensaios em ratos têm sido criticados por apresentarem sensibilidade e seletividade insuficientes. Os esforços na substituição dos bioensaios por técnicas alternativas analíticas resultaram na aprovação pela UE da Cromatografia Líquida com deteção fluorimétrica (LC-FLD) como método alternativo para a deteção das toxinas PSP. No entanto, HPLC -FLD é uma técnica laboratorial que exige equipamento dispendioso e pessoal especializado. Deste modo, existe a necessidade de desenvolver ensaios alternativos que sejam pouco dispendiosos, rápidos e possam ser utilizados como ferramentas de rastreio e de alarme. Sensores e imunoensaios são os candidatos mais bem colocados para o desenvolvimento desta ferramenta, existindo já resultados promissores.


O presente projeto propõe o desenvolvimento de uma língua bioeletrônica tendo como base sensores químicos e biossensores para a deteção rápida de toxinas de PSP, focando exclusivamente nas toxinas já detectadas na costa Portuguesa. A língua electrónica consiste numa bateria de sensores com sensibilidade cruzada, um dispositivo de medição e ferramentas de tratamento de dado. A língua electrónica combina as vantagens de sensores como a rapidez de análise, instrumentação simples e custo relativamente baixo com as melhoradas características analíticas. As aplicações bem sucedidas da língua eletrónica para a quantificação de compostos orgânicos e inorgânicos têm sido relatadas por várias vezes pelos participantes do projeto.


Aplicação da lingua electrónica para a detecção de toxinas marinhas permitiria uma melhor gestão do cultivo e colheita de bivalves, principalmente em áreas remotas e/ou offshore, uma redução do custo na análise de amostras negativas nos programas de monitorização e redução de risco e de custos associados de bivalves contaminados serem fornecidos para o consumo humano.




Membros neste projecto
Alisa Rudnitskaya
Investigadora Principal
João Oliveira
Investigador
Ricardo Calado
Investigador

Financiamento do CESAM: